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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Segredo


Um dia eu sairei
deste meu segredo –
levantarei seu capuz
abanarei suas cinzas
e o aroma quente de minha voz
numa calma imensa falará
de dentro de meu corpo:
_Eu te amo!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Descoberta


Vezes me dou conta que estou
com as palavras das flores
olhando o mundo de azul.

E se falam que meus olhos são negros
completo que poesia é de toda cor.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Os gatos da rua miam
Em cima dos telhados
Quanto tempo um homem
Permanece no cio?...
Ora, sempre depois de uma flor
Pode vir outra flor...
Sempre depois de um orgasmo
Outro orgasmo... outro...

Eu gosto dos homens
Ainda mais se ele estiver
No chão...  Iniciando as preliminares
Por beijos em meus pés...

Teu olhar


Um dia era o olhar
Chegava tranquilo
Como quem conhece
Meu corpo inteiro
Mirava meus seios
Com ares de dono
Assim como quem recorda
De algo divino
Tragava meus lábios
Lambia minha face
E então mergulhava
Em minhas pernas
Audacioso e inquieto
Depois... Já não lembro mais nada
Sei apenas que teus olhos
São como um gato:
Eram tímidos depois arranham.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

É amor


Este pulsar excitado
Em meus braços e pernas
Este vermelho nas faces
Com nome de beijo

É um perfume no quarto
Que adentra na pele
Completa o peito
Invade o corpo

É sangue que corre
Através dos poros
Tão quente tão forte
Com sede de sexo

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Amor e cheiro


Primeiro, o cheiro
Então, os poros se assanham
Às vezes, eu preciso de mais tempo
Mas sejam quais forem meus receios
Suavemente eu abro meu coração
Para um novo amor
E isso tem muito a ver contigo...

domingo, 21 de novembro de 2010

Coisas do amor


Foi nesta estação antiga e carregada de cheiro de mangas que deixei meu amor. Os meninos tinham um jeito engraçado com seus jacás e vendiam todas as frutas repetindo quantas vezes se fizesse necessário, que eram as mangas mais gostosas da cidade. Eu ainda hoje acho. Vivi seis anos longe daqui e sempre me vinha aos lábios o sabor de uma manga rosa, mesmo verde.  
Eu devo em nesta minha vida ter me perdido intimamente quando saí de minha cidade natal. Mas quando minha mãe morreu, eu não ia ter como aguentar o casarão ao lado da ponte de ferro. É verdade que eu amava. Mas ele não podia casar comigo. Agora tenho 26 anos e posso dizer que tenho meus sentimentos sob controle. Mas naquele tempo era jovem e precisava me afastar para não me agarrar a um amor impossível.
Agora reparo como a cidade está grande. Esta pracinha é uma maravilha para as crianças brincarem no fim da tarde. E como é bom conversar embaixo das mangueiras! Meu lugar predileto quando chegava da escola em minha infância era a velha amendoeira em frente de minha casa. De lá eu avistava toda a estação e o meu tio Júlio em seu trabalho no telégrafo. Ficou muito bom esses banquinhos de madeira aqui. Eu costumava sentar nos dormentes de trilhos do trem, contíguo a minha casa, para vê-lo passar. Sinto até saudades do apito da velha maria fumaça!
Ainda nem sei por que voltei. Nunca fui de interesse material, mas meus irmãos querem que eu veja como tudo está antes de vender a propriedade materna. Talvez tivesse sido melhor guardar na memória como era antes. Pelo que há de mais sagrado que o comprador seja alguém de bons ventos pela natureza! As flores do jardim da casa precisam de uma mão amante. Minha mãe tinha paixão por lírios. Ela ficava linda num vestido amarelo colhendo flores para a mesa do café!
Quando recebi o e-mail pensei em não vir. E quando me decidi, fui movida por uma estranha força que me arrastava em pensamentos por Luís. E repeti a mim mesma que ele ainda estava noivo de minha prima Teresa. E pelo visto casaram e, para me evitar uma tristeza logo no dia de minha chegada, não me visitaram. Farei eu mesma isso e serei muito sincera em dizer-lhes que sejam felizes. Que eu perca a esperança de ser um dia acariciada por aqueles olhos claros tal como desejei tanto antes de partir. Ainda desejo? Pelo visto terei de usar de muita sensatez ao encontrá-los. Com os anos passados e distante dele devo ter aprendido a esconder mais minhas emoções. Isso mesmo.
É bom caminhar por estes trilhos. Confesso que escolhi este caminho por ter sido aqui que descobri amá-lo. Era uma manhã de sol fresco. Agradeço a Deus por Luís não ter notado meu coração bater tão descompassado quando pedi que mo ajudasse com a sandália presa num prego dos trilhos. Pensando bem acho que ele intuiu. Recebi o calçado com umas mãos geladas, mas o sorriso dele tinha um brilho de carinho. Ahn, não era nada. Parece-me que ainda sou uma boba adolescente.  Mas que na ocasião sonhei com ele me beijando, isso sim.
Engraçado, por que Luís está na calçada da casa de bate papo com meus irmãos? E por que Teresa na está com ele? Bem, deve estar dentro de casa de conversa com Gislene. Ela sempre foi a prima predileta de minha irmã caçula. Calma, controla a respiração, mulher, para não parecer tão afogueada ao falar com ele. Olha que marido de prima é parente e não pega bem constranger-se ou fazer isso com ele.
_Puxa, mana, pensei que fosse passar a tarde toda olhando a velha estação ferroviária! Lembra do Luís, o ex-noivo de nossa prima Teresa? É ele que quer comprar a casa de mamãe...
Foi nesta tarde que inventei de escrever de amor. Foi quando Luís me olhou como se chamasse minha querida... Ah, tanto tempo te desejando... Voltei e quero dizer que te amo... Foi nesta tarde que dei a cantar com os versos de Vinícius ...” Eu sei que vou te amar/ Por toda a  minha vida eu vou te amar...”

sábado, 13 de novembro de 2010

Sábado à noite

Muitas estrelas de olhos fortes
Na rua cheia de luar
Com sons de grilos levantando-se

E num sábado à noite
Sem janelas nem olhares
Um homem em um apartamento

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Manhã


A manhã vem com um cheiro
De chaminés e rastros de orvalho
E um sabiá chega de manso
Com seu canto em todo o bico
E ele não se importa se sou boba
Tola apaixonada
Minha alma segue seu destino
Conforme o calor do sol manda
Um céu bonito, só pássaros e músicas,
E por baixo dele
Meus passos no ar azulado.

domingo, 19 de setembro de 2010

Febre

Ao longo da tarde ondulante,
Tal girassol em solidão,
Meu corpo, cheio de lirismo e febre, te chama.
Minha carne ante a beleza do rio, nua,
Recebe os raios do sol selvagem
E serve-se dos giros de meus pensamentos.
Estou aqui! No peito de uma  flor morta
De desejos por tua mão amante.
Vem! O sol e as águas se fundem
Com o aroma de minha boca
Rubra de tanto morder teu nome
No bico de meus seios.